domingo, 16 de Agosto de 2009

Entrevista

Victor Afonso é seguramente um dos grandes valores da música electrónica de índole experimental em terras lusas. Sob o pseudónimo
Kubik cria universos musicais peculiares que bebem influências tanto
na pop ou rock como no jazz ou música clássica. Mas não é só a música
que o move. Fomos descobrir de que é feito o quotidiano deste músico,
programador cultural e cinéfilo da Guarda.

Joana Coimbra Martins, entrevista para a revista A Metáfora, 2008

Se estivesse perante um auditório de pessoas ao
qual teria de se apresentar, como o faria? Quem é
e o que faz Victor Afonso?

Diria que sou um cidadão comum que cedo despertou
para a música e para as coisas da cultura em
geral. Licenciei-me em Ensino de Música pela Escola
Superior de Educação da Guarda em 1994 e fui professor
do Ensino Básico durante 7 anos. Em 2000 fui
convidado pela Câmara Municipal da Guarda para
coordenar um espaço cultural chamado Mediateca
VIII Centenário, no qual organizei dezenas de actividades
para estudantes e professores – desde conferências,
workshops, ciclos de música e cinema, etc.
Há mais de dez anos que colaboro regularmente em
jornais, revistas e sites na área da opinião cultural e
também tenho sido convidado como orador em
palestras sobre música, cibercultura e cinema.
Desde 2005 até à presente data que trabalho a
tempo inteiro no Teatro Municipal da Guarda, como
responsável pelo Serviço Educativo. Paralelamente,
tenho já um percurso de 20 anos como músico, com
experiência em bandas pop, rock, e música improvisada.
Há dez anos que mantenho, sozinho, o projecto
Kubik, vocacionado para a electrónica “free
style”, ou seja, aberta a todos os estilos musicais.
Editei até à data dois discos com excelentes críticas
da imprensa e tenho-me também dedicado a compor
música original para teatro, cinema mudo, dança
e perfomance.

De onde vem o seu nome artístico, Kubik?
Há quem julgue que Kubik é uma derivação do cubo
mágico Rubik ou do nome do realizador Kubrick. A
verdade é que não tem nada a ver com ambos (apesar
de gostar muito de Kubrick e de o lançamento
do meu projecto ter coincidido com a morte do
cineasta de “Shining”). Escolhi o nome por ser curto,
forte em termos fonéticos e de fácil memorização.
Pensava que era um nome original, e só mais tarde
me dei conta que existem músicos de jazz com
apelido Kubik e até uma banda de heavy-metal da
Indonésia com este nome!

Como foram os seus primeiros contactos com a
música? Qual foi o seu primeiro instrumento e a
que idade?

Os primeiros contactos aconteceram quando eu
tinha 10 anos com aulas particulares de guitarra e
piano. O primeiro instrumento que aprendi a tocar
foi a guitarra clássica. Já adolescente aprendi também
a tocar guitarra eléctrica, baixo eléctrico, bateria
e teclados.

Por vezes, os músicos ou artistas relacionam a sua
entrada no mundo das artes com o tipo de educação
que receberam dos pais e o ambiente em
que viviam. Foi o seu caso? Tem background familiar
numa qualquer área artística e se sim como é
que isso o influenciou?

É uma pergunta interessante. Por acaso o meu ambiente
familiar não foi muito propício no sentido de
ter tido uma educação de rigor cultural, isto porque
os meus pais só tinham a escolaridade primária
(nenhum tem formação musical ou literária). No entanto,
apesar de não terem essa educação, sempre
me proporcionaram condições de aprendizagem favoráveis
a uma formação cultural sólida e diversificada,
através de aulas de música durante anos, do
dinheiro que me davam para comprar jornais, discos,
livros, filmes e revistas (numa altura em que a
internet era uma miragem) e do investimento no
curso superior de música. Por outro lado, o facto de
ter vivido até aos 8 anos numa cidade cosmopolita
como Paris, abriu-me horizontes culturais que de
outra forma não teria possibilidade de ter (em
França tive aulas de expressão plástica e musical). Já
na adolescência e a viver na Guarda tive a sorte de
alguns dos meus melhores amigos gostarem de boa
música, de bom cinema e de boa literatura, facto
que influenciou de sobremaneira a minha formação
geral.

Paralelamente à música tem um gosto apurado
para o cinema. Quais são as suas referências e o
que o fascina mais nesta arte?

Sim, o cinema desde cedo exerceu forte influência
no meu imaginário e na minha formação cultural.
Como vivi sempre na Guarda que está geograficamente
perto de Espanha, tive a oportunidade de ver
bom cinema na televisão espanhola – clássicos e
filmes de autor. Por outro lado, ainda em adolescente,
por influência de dois amigos cinéfilos mais
velhos vim a conhecer muitos realizadores e filmes
que passaram a fazer parte das minhas preferências.
Aprendi a ver o cinema como uma arte muito para
além do mero entretenimento efémero, uma expressão
artística total capaz de proporcionar momentos
de fruição estética inigualável. Como dizia o
cineasta francês Robert Bresson, o cinema é, antes
de tudo, uma “escrita”, uma linguagem e uma expressão
de grande rigor formal com ligações a outras
artes que me interessam, como a música, a pintura
e a fotografia. As minhas referências no cinema são
múltiplas e diferenciadas: cinema mudo expressionista
e de vanguarda (Murnau, Lang, Vertov, Eisenstein...),
mas também o burlesco americano com os
génios de Charlie Chaplin e Buster Keaton; depois
há Dreyer, Peckinpah, Bergman, Sokurov, Hitchcock,
Cronenberg, Orson Welles, Cassavetes, Fellini. Tenho
ainda uma especial adoração por cinco ou seis
cineastas que me marcaram especialmente e que
não me canso de rever: Jacques Tati, Stanley
Kubrick, Andrei Tarkovski, Woody Allen, Luís Buñuel
e David Lynch.

Esteve envolvido na criação de bandas sonoras.
Como decidiu enveredar por essa via?

A minha primeira experiência na composição de
uma banda sonora original para um filme foi em
2003 com a obra surrealista “Un Chien Andalou”
(1928) de Luís Buñuel, com participação do pintor
Salvador Dali. Comemoravam-se 20 anos da morte
do realizador espanhol quando fui convidado para
fazer essa banda sonora, que apresentei ao vivo em
muitos cineclubes e salas do país. Em 2005 aceitei
uma encomenda do festival de cinema Imago
(Fundão) para musicar, conjuntamente com a
orquestra de percussão e coro da Covilhã, o filme
mudo “Entr’acte” (1924) de René Clair. Mais recentemente
fiz a música do filme “A Felicidade” (1934)
do realizador russo Alexandre Medvedkine, a convite
do festival de artes performativas “Escrita na
Paisagem” de Évora. O que me agrada no trabalho
de criação musical e sonora para filmes mudos é o
desafio criativo em pontuar as imagens, correspondendo
às exigências dramáticas e narrativas do
próprio filme.

É criador do blog "O Homem Que Sabia Demasiado",
onde artes como a música, cinema, literatura
ou até assuntos ligados aos media têm lugar. A actualização
do blog é bastante frequente. Como tem
tempo, para além da sua actividade profissional,
para consumir e criar tanta informação? Dedica
bastante tempo à leitura de jornais, internet, entre
outros?

O blog fez um ano de actividade em Novembro. Decidi
criá-lo para servir de suporte informativo dos
temas de que gosto (pessoal e profissionalmente):
música, cinema, audiovisual, literatura, artes e cultura
em geral. Ao fim deste primeiro ano de funcionamento
já conta com quase 60 mil visitas e
perto de mil “posts” publicados, com actualização
diária. Na verdade, admito que nem sempre é fácil
manter um blog com estas características derivado
dos meus afazeres profissionais e familiares. Preciso
de estar permanentemente actualizado e de consumir
muita informação que vou buscar a revistas,
jornais, sites, televisão, para produzir os conteúdos
que tenho colocado online. Mas ler é algo que eu já
faço há muitos anos, não é apenas por causa do
blog. Por outro lado, o facto de ser actualizado diariamente,
exige de mim um esforço acrescido e resulta
num estimulante exercício intelectual que me
leva a fazer muitas pesquisas e recolha de informação.
O blog, cujo título é decalcado
de um filme de Hitchcock, permite-me
dissertar e opinar sobre muitos assuntos
de forma livre, sendo também um
espaço de discussão democrática (os
comentários são abertos a qualquer
pessoa) sobre inúmeros temas relacionados
com as artes e a cultura. Escrevo
mais sobre cinema do que sobre música, mas
também de livros, publicidade, novos media, fotografia,
etc.

Vive na Guarda. Acha que as cidades do interior -
ou cidades mais pequenas - estão bem servidas a
nível cultural? Quais são as lacunas que existem a
esse nível?

Há 20 anos sentia-se um claro atraso em relação à
oferta cultura na Guarda. Não havia política cultural
nem equipamentos ou espaços culturais para as
artes do espectáculo. Desde há uns anos a esta
parte, e sobretudo desde a abertura do Teatro Municipal
da Guarda em 2005, a dinamização cultural
na Guarda cresceu em dimensão e qualidade. E é
importante que uma cidade do interior como a
Guarda tenha percebido que a cultura pode e deve
servir de trampolim de desenvolvimento de toda a
região centro, como está a acontecer neste momento.
A nível de equipamentos culturais, a Guarda
vai inaugurar este mês uma biblioteca municipal de
grande nível, a Biblioteca Eduardo Lourenço. Daí
que estas duas estruturas – Teatro e Biblioteca –
sejam dois grandes pólos de desenvolvimento cultural
da cidade, para o presente e para o futuro, que
em nada ficam a dever a cidades de maior dimensão.
É licenciado em Educação Musical. Noutra entrevista
sua diz que o curso o desiludiu. Porquê?
Basicamente, porque era deficitário em termos de
qualidade dos professores e não foram ministrados
determinados conteúdos curriculares importantes
para a formação musical e cultural dos alunos. Foi
um curso ainda muito apegado à estrutura curricular
do velho conceito de conservatório de música,
com uma visão muito estrita e fechada do fenómeno
estético da música e das artes. Resumia-se ao
ensinamento teórico da linguagem musical erudita
(ou música clássica), como se todos os outros
géneros musicais fossem menores e não fizessem
parte do panorama cultural contemporâneo. Os
conteúdos nunca versavam sobre fenómenos estéticos
ligados à arte e cultura comtemporâneas -
nunca se falou em John Cage ou Stockhausen, em
música improvisada ou electroacústica, em rock de
vanguarda, na fusão de linguagens musicais, etc.
Todas estas vertentes tive de as aprender e assimilar
de forma totalmente auto-didacta. E ainda bem que
o fiz...

Qual foi até agora, enquanto músico, o momento
mais marcante na sua carreira e porquê?

Sem dúvida, o momento em que fui convidado pessoalmente
pelo músico americano Mike Patton para
fazer a primeira parte do concerto do seu grupo
Fantômas, na Aula Magna de Lisboa, em Maio de 2004.
Sempre tive uma especial admiração pelo ex-músico
dos Mr. Bungle, e ouvir da sua própria boca que
gostava muito do meu trabalho e que me queria
convidar a tocar na primeira parte do seu supergrupo,
foi um momento incrível. E tocar sozinho,
numa sala mítica como a Aula Magna, para uma assistência
de mil e tal espectadores, foi deveras especial.

O que o inspira?
O cinema e as imagens, muito. Parto também da realidade
quotidiana para construir universos sonoros
surreais, corporizados numa espécie de carrossel
mágico desgovernado e imprevisível. É assim que
gosto de classificar a minha música.

segunda-feira, 18 de Maio de 2009

Kubik vs. Kafka

O célebre conto "A Metamorfose" de Kafka adaptado para vídeo. Trata-se de dois filmes feitos por alunos de comunicação audiovisual da escola António Arroio de Lisboa. A supervisão artística e técnica foi feita pelo realizador e professor Carlos Gomes. É um trabalho assumidamente amador, claro, mas para mim este trabalho tem um sabor especial, porque a música que se ouve é... minha (Kubik).

segunda-feira, 16 de Fevereiro de 2009

Críticas de concertos


"A terceira noite do Festival Best.Off oferecia desde logo uma noite forte em termos de experimentação sónica. De um lado Kubik , o alter-ego de Victor Afonso, o músico que lançou este ano o seu segundo disco, Metamorphosia. Quando Kubik se apresentou em palco os presentes eram ainda poucos mas esse cenário foi-se modificando ao longo do concerto. Concerto que, nas palavras do próprio Victor Afonso se iria dividir entre Metamorphosia e o seu álbum de estreia, Oblique Musique, registo editado em 2001. A transposição desses temas para os concertos faz-se da utilização de uma base programada e da voz e guitarra de Victor Afonso, faz-se de electrónica, jazz em desvario, música de desenhos animados, da escola do corta e cola (os samples) e de muita experimentação. É árdua a tarefa de Kubik.
Não há guitarrista a mandar-se para o chão e, de joelhos, sacar meia dúzia de solos espalhafatosos, não há um Bez para comandar a trupe. É uma actuação onde se trabalha e deve trabalhar a mente primeiro e o corpo depois. Um verdadeiro desafio. Um pouco no espírito do festival, os sons apareceram muitas vezes acompanhados de projecções. No final, Victor Afonso, apesar de alguns problemas técnicos na primeira tentativa, acompanhou com a voz um vídeo de uma espécie de desenho animado que tocava todos os instrumentos num estúdio de cores garridas. Tendo (sobretudo) em conta o propósito deste festival, Kubik foi uma escolha bem acertada, uma justa representação nacional."
André Gomes in http://www.bodyspace.net/ 12 de Dezembro de 2005
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"Na sexta, Kubik prova que o que realiza ao vivo é uma eufórica remistura non-stop quase irreconhecível da matéria impressa em disco. A sua voz e sobretudo a guitarra eléctrica em actividade constante são peças centrais no remoldar da matéria porque, entre outras funções, sublinham um apreço por canções pop-rock ao mesmo nível da estima pela vanguarda. A colagem resulta em peças de entretenimento com défice de concentração (é elogio) e unhas afiadas em direcção à cara do espectador - é isso que também explica que a certa altura Kubik se lance a um xilofone como se Martin Denny houvesse sido uma estrela do submundo industrial-tribal."
Jorge Manuel Lopes in BLITZ 13 de Dezembro de 2005

terça-feira, 3 de Fevereiro de 2009

Fotos concerto no TMG, Janeiro 2009



domingo, 21 de Dezembro de 2008

Cine-concerto na Guarda

Próximo cine-concerto de Kubik "A Felicidade":
Pequeno Auditório do Teatro Municipal da Guarda
Dia 16 de Janeiro de 2009 - 21h30

Imagens do filme "A Felicidade"

quinta-feira, 13 de Novembro de 2008

Kubik em Lisboa - Cine-concerto

Festa de Cinema Periférico 08

20 a 23 Novembro 2008 - São Jorge Lisboa



DOMINGO, 23 NOV. 19h30

KUBIK – "A FELICIDADE" DE ALEKSANDRE MEDVEDKINE


"A Felicidade" é uma obra-prima relativamente pouco vista, pois o seu realizador só foi realmente reconhecido nos anos 70, graças ao em empenho de Chris Marker. Medvedkine era contemporâneo de Eisenstein, que o admirava e escreveu a seu respeito, mas os seus filmes eram excessivamente originais para o sistema soviético. Em 1932-33, Medvedkine percorreu a Ucrânia num "cine-comboio", com uma equipa que improvisava pequenos filmes com os camponeses nas paragens. Foi desta experiência que nasceu "A Felicidade", um filme em que um estábulo ou um celeiro podem sair andando, um morto pode ressuscitar, um cavalo pode subir a um telhado de colmo para comê-lo, um filme em que o grotesco e o maravilhoso se fundem."

segunda-feira, 13 de Outubro de 2008

Entrevista

Kubik é Victor Afonso, o músico da Guarda que em 2001 marcou a sua estreia oficial com Oblique Musique, um disco editado pela Zounds. Oblique Music fundia vários universos que passavam pela música electrónica, pela colagem e pelo experimentalismo, e acabou por receber vários prémios e críticas entusiasmantes. A sua carreira musical prosseguiu, quer no que diz respeito ao trabalho desenvolvido através de alter-egos, quer nas constantes colaborações com o cinema (uma área onde se sente em casa), e a lista de projectos onde participou nunca mais tem fim. Um desses projectos consistiu na criação de uma espécie de banda sonora para a história da Guarda: Guarda: A memória das coisas surgiu num CD integrado na revista "Praça Velha". Mas agora Kubik está de volta com Metamorphosia, um disco que conta com as participações de Adolfo Luxúria Canibal (voz), Old Jerusalem (voz), Américo Rodrigues (voz), César Prata (gaita de foles, electrónica e voz), Luís Andrade (guitarra, baixo, programações) e Alberto Rodrigues (saxofone alto). Victor Afonso, com uma disponibilidade impressionante, fala-nos do passado e traz-nos de volta ao seu presente e obviamente, a este novo Metamorphosia.

- Como é que foi olhar para o final de 2001 e para “Oblique Musique” e partir para um novo disco? O que é que mudou do primeiro para este segundo disco?

- Depois das óptimas críticas que o “Oblique Musique” recebeu aquando da sua edição, tornou-se, efectivamente, mais complicado “pensar” num novo trabalho. Há sempre aquele estigma de se saber se o álbum sucessor de um disco de estreia consegue igualar ou até superar o predecessor. Mas é óbvio que se trata de um estigma estimulante e motivador. Por isso demorei quatro anos a arquitectar o sucessor de “Oblique Musique”, porque tomei o meu tempo a considerar em que direcção haveria de fazer este disco. Não acredito que tenha havido assim tantas mudanças entre um disco e o outro, antes assumo que houve uma evolução significativa na minha forma de criação musical: desenvolvi ideias que no primeiro eram meramente esboços, melhorei a produção e aprofundei a minúcia de cada som, de cada montagem e manipulação sonoras, abri portas a novas colaborações, redobrei o carácter surreal e aparentemente caótico da minha sonoridade, não deixando quaisquer coordenadas de orientação ao ouvinte (e por isso tentando surpreendê-lo a cada momento, ainda que não de forma gratuita). “Metamorphosia” acaba por ser um disco bem mais elaborado e, quiçá, mais arriscado. É um trabalho de um alquimista dos sons, que os trabalha como se tratassem de peças de puzzle ou de lego com vista à construção de algo original e intrépido.

- Quanto tempo demorou a concepção deste novo “Metamorphosia”?
- A partir do primeiro momento em que decidi avançar para este novo álbum decorreram dois anos. Foi um processo algo longo e demorado, sobretudo para uma pessoa pouco paciente como eu. A demora deveu-se também ao facto de ter tido um maior número de colaborações (Adolfo Luxúria Canibal, Old Jerusalém, Luís Andrade…), o que acarreta sempre uma demora no processo de criação. Basta dizer que os temas em que participam alguns dos músicos convidados demoraram um ano a serem concluídos.

- Como foi lidar com a habitual pressão e a problemática cada vez mais presente do segundo disco?
- Pressão nunca senti muita. Aliás, nem concebo que um músico como eu, independente e alheio à lógica de mercado da indústria discográfica e da comunicação social, sinta alguma vez pressão exterior pela edição de um segundo trabalho. Se alguma pressão senti, entenda-se, foi de índole interior, no que ao processo criativo diz respeito. Com o primeiro álbum não tinha que provar nada, houve uma maior libertação e sentido de aventura no momento de editar o disco. Com este segundo disco, as coisas passaram-se de modo distinto. As comparações serão inevitáveis entre os dois álbuns e o sentido de responsabilização para mim é, quer queira quer não, de maior envergadura. Mas isso é algo perfeitamente normal e pacífico.

- “Metamorphosia” surge dividido em dois espaços abstractos designados por A e B. Em que consiste propriamente a divisão do disco?

- Numa perspectiva eminentemente saudosista, representa ao mesmo tempo um sereno sentido nostálgico pela divisão dos discos de vinil e de cassetes, e também por um assumido carácter conceptual que existe no “Metamorphosia”. Isto é, há claramente esse sentido abstracto de divisão de temas que representa, no fundo, uma estrutura própria do disco, numa divisão quase matemática ou geométrica: o lado A tem 7 temas, o lado B tem outros 7 temas. E há um princípio, meio e fim no disco com três falsos “intros”. Isto tudo fará mais sentido quando se ouvir o disco, dado que há uma lógica estrutural interna com base nesta divisão.

- Além disso, optou por incluir vozes em todos os temas assim como uma maior utilização de instrumentos reais. Porquê? “Metamorphosia” constitui uma aproximação ao formato canção?
- Decididamente, o formato de canção não é algo que eu preze muito. Há, nos meus discos, músicas que obedecem a uma estrutura própria (nem que seja numa estrutura ilógica!), mas nunca se submetem àquele formato rígido de canção standard, com princípio, meio e fim e, - oh heresia! - com refrão. O tema mais próximo desse formato é a remistura que fiz para um tema dos Bypass, mas mesmo aí subverti, deliberadamente, o sentido dinâmico e estrutural desse mesmo formato. Interessa-me muito mais o processo criativo inerente à desestruturação, à fragmentação estética, ao estilhaçar de fronteiras, de limites estilísticos. E o facto de ter utilizado em “Metamorphosia” mais instrumentos ditos “reais” e mais vozes, não significa, tacitamente, que tenha recorrido ao formato de canção tradicional. Longe disso…

- Este novo disco conta com as participações de Adolfo Luxúria Canibal (voz), Old Jerusalem (voz), Américo Rodrigues (voz), César Prata (gaita de foles, electrónica e voz), Luís Andrade (guitarra, baixo, programações) e Alberto Rodrigues (saxofone alto). Tendo em conta a diversidade dos músicos e das suas áreas de acção, pode-se dizer que “Metamorphosia” percorre vários caminhos dentro do mesmo percurso?
- É uma boa definição. Na capa do disco vem impressa uma afirmação de um compositor italiano do início do século - Ferruccio Busonni - que resume na perfeição a ideia do projecto Kubik - “a música nasceu livre, e o seu destino é ganhar essa liberdade”. Ou seja, partilho muito dessa ideia de que a arte deve manifestar-se livremente, rompendo fronteiras, padrões estandardizados, numa via de busca incessante de novas formas de expressão. A história da arte prova que os movimentos artísticos - da música ao cinema ou à literatura - mais ricos e fracturantes foram aqueles que romperam esses padrões e revelaram inéditas formas de criação – surrealismo, dadaísmo, vanguarda soviética, free-jazz, electrónica experimental, Fluxus, etc. O meu trabalho musical é, por isso, fundamentalmente “livre”, espartilha-se numa espécie de bricolage electrónica multi-tentacular, não revelando quaisquer compromissos de ordem estética com este ou aquele estilo ou tendência. Por conseguinte, os músicos colaboradores, todos oriundos de universos bem distintos entre si, acabaram por me ajudar a trilhar essa pesquisa de novas formas de experimentação, que é o que mais me interessa.

- Acaba por ser curiosa a participação de Francisco Silva (Old Jerusalem) em "Metamorphosia", visto serem dois projectos aparentemente tão distintos…
- No tal sentido de procura de novas formas de expressão libertária de que falei anteriormente, o convite ao Old Jerusalém veio permitir isso mesmo: o confronto de sensibilidades e universos sonoros aparentemente antagónicos ou inconciliáveis. O Francisco Silva gostou muito do meu primeiro disco, aconteceu conhecê-lo pessoalmente numa actuação de Old Jersualem na Guarda e aproveitei para convidá-lo a participar neste disco. Achou o desafio fantástico e aceitou de imediato. E deu um excelente contributo para o tema “I’m a Vampire, I’m Disgust”, uma música que irá surpreender muita gente, precisamente porque o trabalho vocal do Francisco afasta-se muito daquilo que conhecemos do projecto Old Jerusalem. Ou seja, o Francisco soube adaptar-se brilhantemente ao universo sonoro “kubikiano” (tal como os outros convidados, diga-se). Foi uma colaboração bastante frutífera para ambas as partes, uma colaboração entrosada como peças de um relógio suíço.

- Ao longo da sua carreira, nota-se a predilecção pela composição de bandas sonoras. É um mundo que o encanta particularmente?

- A música e o cinema (e também o teatro) são as duas áreas artísticas que me fascinam desde miúdo. De resto, antes de ter enveredado por um curso superior de música ponderei entrar para o curso de cinema… Sou um cinéfilo inveterado, tenho muitos mais livros sobre cinema do que sobre música e sempre tive a paixão pela descoberta e experimentação da relação entre o som e a imagem, desde os primórdios do cinema. Quanto ao teatro, já tive 5 experiências de composição de bandas sonoras originais, assim como música para performance, vídeo e cinema. O trabalho de construção de bandas sonoras para estas áreas é bastante peculiar e motivante. Sou grande admirador do expressionismo alemão e da vanguarda soviética e o afã de experimentar este campo de relação som-imagem levou-me a arriscar criar uma banda sonora original para o filme mudo surrealista “Un Chien Andalou” (1928) da dupla Luís Buñuel e Salvador Dali.

- Em 2004 foi convidado pessoalmente por Mike Patton para actuar na primeira parte do concerto dos Fantômas na Aula Magna, em Lisboa. Como é que foi a experiência?

- Detestável!... Não, foi óptima. Na verdade, já tinha sido excelente o facto do Mike Patton ter manifestado gostar imenso do “Oblique Musique”, depois, mais extraordinário ainda, o facto de me ter convidado pessoalmente para abrir o concerto dos Fantômas na Aula Magna, foi algo completamente fabuloso. Esta consideração crítica favorável do Mike pelo meu trabalho é algo que contribuiu, em larga escala, para um maior reconhecimento do projecto Kubik. É claro que havia muita gente na Aula Magna que não fazia ideia quem eu era, uma espécie de extraterrestre solitário a fazer música bizarra antes dos Fantômas (alguns pensaram mesmo que eu era uma “banda” estrangeira de suporte da digressão da banda do Mike!), mas acabou por ser uma experiência única, valha a verdade.

www.bodyspace.net

Maio 2005

segunda-feira, 6 de Outubro de 2008

Crítica ao cine-concerto "A Felicidade"


"Victor Afonso, ou Kubik, é um músico multi-instrumentista da Guarda, galardoado pelo jornal Público em 2005, que conta já com diversos discos editados (entre os quais se contam edições nas netlabels Test Tube e MiMi Records - este último que contou com referência aqui) para além de alguns concertos extra-muros, nomeadamente em cidades como Madrid, Barcelona e Londres e convites para musicar filmes mudos de Luís Buñuel, René Clair e mais recentemente, no âmbito do Festival Escrita na Paisagem, o filme "A Felicidade" do cineasta russo Alexander Medvedkine. Foi este projecto o motivo da sua presença, esta noite (dia 27), na FNAC, em Coimbra.
Para apresentar a sua visão sonora desta comédia dramática, surrealista e provocadora de 1934, que ousou criticar o, então, jovem regime bolchevique.Quem já teve algum contacto com a música de Kubik sabe que ela é essencialmente imagética, daí que o resultado deste trabalho não sendo propriamente surpreendente é, ainda assim, magistral. Fazendo uso do seu laptop e de um vasto arsenal de instrumentos musicais: guitarra, concertina, flauta, harmónica, e mais alguns que não corros o risco de designar por não saber ou ter receio de errar, Kubik capta e transmite na perfeição a essência e os ritmos do filme, sendo a sua banda sonora um complemento perfeito a uma narrativa que joga com as constantes reviravoltas nas relações entre as pessoas e os seus interesses, as suas forças e as suas fraquezas.Em conversa com o Victor, no final da projecção, tive oportunidade de saber que ele conta levar este projecto a mais algumas salas deste país, pelo que aconselho, vivamente, a que estejam atentos e se puderem não percam. Mais uma vez: parabéns Victor."

segunda-feira, 29 de Setembro de 2008

Kubik - Percursos musicais

Victor Afonso nasceu em 1969. Iniciou os estudos musicais aos 10 anos de idade, estudando guitarra clássica e piano. Após várias passagens por grupos musicais efémeros, funda o grupo de rock alternativo Nihil Aut Mors, em 1987. Este projecto tocou ao vivo em diversas cidades portuguesas e espanholas e editou duas maquetas (“Nihil Aut Mors” e “Super”)

Em 1994 concluiu a Licenciatura em Educação Musical pela Escola Superior de Educação do Instituto Politécnico da Guarda.

Realizou ao longo dos anos workshops e acções de formação com músicos como Nuno Rebelo, Carlos Zíngaro, Günter Müller, Tim Hodgkinson, Marco Franco, Victor Nubla, Luís Desirat, Pierre Van Wauve, António Victorino de Almeida, Luís Lapa, Cristina Fernandes, etc...

Enquanto compositor e músico, compôs a banda sonora original para quatro peças de teatro de uma companhia teatral independente da Guarda – “Aquilo Teatro”, entre 1993 e 2001.

1995/96: Desenvolveu um projecto a solo designado La Sinistre Main Gauche, no qual explora as potencialidades MIDI entre o computador, sintetizadores, guitarra eléctrica e electrónica diversa.

Em Maio, 1995 Tocou na inauguração da exposição de pintura de Kim Prisu.

Em 1995 desenvolveu um projecto musical multimédia com outro guitarrista (João Paulo Trabulo) designado Exploding Trip Inevitable, dando quatro espectáculos ao vivo (Guarda, Covilhã, Viseu e Portalegre).

Colaborou durante um ano, tocando viola-baixo, com o grupo hip-hop/rap/jungle FACTOR ACTIVO, da Covilhã.

1998, colaborou com o artista plástico espanhol Domingo Sanches Blanco (Salamanca), compondo uma banda sonora original (que foi posteriormente editada em CD) apresentada ao vivo na ARCO - Feira Internacional de Arte Contemporânea de Madrid, dia 13 de Fevereiro de 1999.

Compôs a banda sonora/efeitos sonoros para um documentário sobre aldeias históricas de João Paulo Trabulo.

1999, Abril: o projecto Grozni (alter-ego de Victor Afonso) fica classificado em segundo lugar nos Prémios Maqueta 99, na categoria de “Melhor Maqueta de Dança”.

1998, Fevereiro: criação do projecto KUBIK, dentro do âmbito da música electrónica e múltiplos géneros afins.

1999, Março: Cerimónia de entrega dos “Prémios Maqueta 1999” – Kubik vencedor em 4 categorias: Prémio “Melhor Maqueta de Dança”; Prémio de Imprensa “Jornal de Notícias”; Prémio de Imprensa “Correo Galego” (Vigo) e Prémio “Musicnet”. A maqueta de KUBIK foi a segunda maqueta mais votada pelo júri - das 105 a concurso de todo o país.

2001, Março: Victor Afonso (Kubik) assina um contrato discográfico com a editora de Lisboa Sabotage.

2001, Junho: Composição de uma banda sonora original para o filme “Que Tenhas Tudo o Que Desejas”, do realizador Pedro Caldas.

2003, Março: composição da música para a exposição “A B.D. a P.B. – a Banda Desenhada a Preto e Branco”, no Paço da Cultura da Guarda.

2003, Junho: composição da banda sonora original do filme mudo “Un Chien Andalou” de Luís Buñuel e Salvador Dali – apresentação na Mediateca da Guarda, Fnac do Porto, Universidade da Covilhã, Cineclube de Guimarães e Viseu.

2004, Abril: composição e montagem sonora do trabalho “Sons a Negro – Uma Experiência Sonora na Escuridão”

2004, Setembro: faz uma remix de um tema do grupo NORTON para edição em CD de colectânea de remisturas.

2005. Outubro: compõe a banda sonora original do filme mudo “Entr’Acte” de René Clair, com acompanhamento da Orquestra de Percussão e Coro Misto da Covilhã – Encomenda do Festival de Cinema do Fundão – IMAGO

Em Agosto de 2006 é convidado pela associação “Escrita na Paisagem” (Évora) para reciclar esteticamente o filme português “João Ratão” de Jorge Brum do Canto com música original.

2006, Agosto: composição de banda sonora original da peça de teatro “O Concluio de Becket, Ionesco e Salazar contra o Jovem Autor" de Luiz de Castro estreado em Setembro 2006 no Teatro das Beiras (Covilhã)

2006-2007: Composição de música original para a coreografia/performance “INVENTÁRIO” de Joclécio Azevedo a estrear em Fevereiro de 2007 na Culturgest (Lisboa)

2006, Dezembro: trabalho de sonoplastia e composição musical para a peça “Cozinha Canibal” de Roland Topor, pela estrutura teatral “Project~ do Teatro Municipal da Guarda

2007, Outubro: composição da banda sonora original para exposição de Vik Muniz no Museu da Electricidade de Lisboa e respectivo anúncio publicitário na TV.

2008, Fevereiro: composição de música original para desfile “O Enterro e Julgamento do Galo”, Guarda.

2008, Março: remistura de música do grupo americano Cavedoll

2008, remistura de música do grupo de Macau Evade (música electrónica)

2008, Maio: composição de música original para peça de teatro infantil “Os Duendes do Lago”, TMG, Guarda.

2008, Agosto: encomenda do Festival Escrita na Paisagem para a criação de uma banda sonora original do filme “A Felicidade” (1934) de Alexander Medvedkine.

Kubik live - 3

Ao vivo em Évora - 27 Agosto 2008
Cine-concerto: Filme mudo "A Felicidade" (1934) de Alexander Medvedkine com música ao vivo

Kubik live - 2

Ao vivo na ZDB - Lisboa - 16 Dezembro 2006

Kubik live - 1

Ao vivo em Barcelos - Auditório Municipal - 13 Outubro 2006

domingo, 28 de Setembro de 2008

Críticas ao disco "Metamorphosia" - 2005


“Kubik, com “Oblique Musique” de 2001 – o melhor disco nacional de electrónica desse ano, escancarou meia dúzia de janelas sobre a paisagem surreal-electrónica nacional. Agora “Metamorphosia” torna-se num disco de culto da música portuguesa”
João Lisboa, EXPRESSO
“Metamorphosia” is an amazing record. Kubik is moving into a particular universe, very special. It is a fantastic record and a fantastic music… it is a monster!” MIKE PATTON

“Kubik em excelente disco de corte e costura e repleto de explosões criativas à Mike Patton” – Gonçalo Frota, BLITZ

“Metamorphosia” é um disco de absoluta liberdade, criatividade esfuziante, colagens improváveis de tá aqui a sons e, claro, de difícil catalogação, que tanto pode agradar à tribo da electrónica experimental e da pop alternativa como aos amantes da música contemporânea sem concessões.” Pedro Dias de Almeida, VISÃO

“Metamorphosia”, o segundo disco de Kubik, é seguramente um dos melhores discos portugueses de 2005. Mas é mais do que isso; é uma obra plena de inventividade, não só a partir de produção alheia, e criatividade.” – Davide Pinheiro, DIÁRIO DE NOTÍCIAS

“Metamorphosia é experimentação e faceta lúdica dos materiais sonoros. Um disco cheio de pormenores, em que cada audição reparamos nas camadas e camadas de pequenos sons que Victor Afonso se divertiu a criar e a pôr na sua música”
Rodrigo Nogueira, BODYSPACE.NET

“O que é Metamorhposia? Estilhaços. Recontextualização. Imagética. Dadaísmo, surrealismo, MontyPythonismo. Free Jazz para o século XXII. Prog para o século XXII. Liberdade para o século XXII. Liberdade. Grande liberdade.”
João Bonifácio, PÚBLICO Y

“Victor Afonso do projecto Kubik é um dos poucos músicos portugueses que pretende e consegue romper os limites que a música, por vezes, parece pressupor”
André Tiago Gomes, MONDO BIZARRE

“O novo disco de Kubik, “Metamorphosia” é altamente recomendável: no labirinto desta obra de constantes metamorfoses reencontramos o Victor Afonso mais experimental, aquele que se tem revelado na sua faceta de improvisador, mas com maior evidência ainda o que se interessa pela pop e pela música popular em geral, incluindo as franjas mais criativas deste universo, que vai de beats electrónicos a riffs de heavy metal, da world music ao sampling”
Rui Eduardo Paes, www.rep.no.sapo.pt

“Kubik propõe uma exploração caleidoscópica, dançável e divertida - “Metamorphosia” é tal e qual. Um espécime a preservar junto de outras raridades.”
Filipe Pedro, FEST FORWARD

“Metamorphosia” é um disco deliciosamente estranho. Feito de uma beleza rara e crivado de sabores que se vão descobrindo ao virar de cada esquina. Victor Afonso continua fiel aos princípios que norteiam a sua música: experimentação e procura de novos terrenos estéticos”, Nuno Ávila, www.santosdacasa.blogspot.com

“O melhor disco nacional do ano, “Metamorphosia” é um disco imperdível.” A manipulação sonora é o denominador comum de “Metamorphosia” e o veio essencial da metamorfose musical do universo de Kubik, um labirinto conceptual e híbrido, um mundo uno e indivisível, um terreno bravio que apetece explorar ao milímetro. Desse espaço sónico provém um fluído invulgar, produto misterioso e progressista de um génio tímido cuja assinatura um lastro quase dadaísta, qual salteador que rouba pedaços de música ao seu habitat e os sobrepõem em encenações imagéticas multi-camadas, de cargas energéticas contrastantes.
António Pinto, www.apartes.blogspot.com

Concertos ao vivo


2008
2008, 17 Julho: Guarda, Teatro Municipal da Guarda: Terraço Plays” – música improvisada com Eduardo Martins
2008, 26 Agosto: Montemor-o-Novo: Cine-concerto - filme mudo “A Felicidade” (1934) de Alexander Medvedkine
2008, 27 Agosto: Évora: Cine-concerto - filme mudo “A Felicidade” (1934) de Alexander Medvedkine
2008, 28 Agosto: Arraiolos: Cine-concerto - filme mudo “A Felicidade” (1934) de Alexander Medvedkine
2008, 30 Agosto: Estremoz: Cine-concerto - filme mudo “A Felicidade” (1934) de Alexander Medvedkine
2008, 27 Setembro: Coimbra, Fnac: Cine-concerto - filme mudo “A Felicidade” (1934) de Alexander Medvedkine
2008, 23 Novembro: Lisboa, Cinema São Jorge: Cine-concerto - filme mudo "A Felicidade" (1934) de Alexander Medvedkine

2007
2007, 25 Maio: Póvoa de Varzim, Biblioteca Municipal: cine-concerto – filmes mudos “Entr’Acte” de René Clair e “Un Chien Andalou” de Luís Buñuel e Salvador Dalí
2007, 15 Setembro: Barcelos, Auditório Biblioteca Municipal: cine-concerto – filmes “Entr’Acte” de René Clair e “Un Chien Andalou” de Luís Buñuel e Salvador Dalí

2006
2006, 18 Janeiro: Guarda, Teatro Municipal da Guarda: cine-concerto com filme mudo “Un Chien Andalou”
2006, 4 Fevereiro: Porto, FNAC Norteshopping: cine-concerto: com filme mudo “Un Chien Andalou”
2006, 12 Maio: Porto, bar “Maus Hábitos”: concerto de apresentação do álbum “Metamorphosia”
2006, 13 Maio: Porto, Fnac Sta. Catarina: cine-concerto com filmes mudos “Entr’Acte” e “Un Chien Andalou”
2006, 20 Maio: Coimbra, Fnac: cine-concerto com filmes “Entr’Acte” e “Un Chien Andalou”
2006, 23 Agosto: Odemira, concerto filme “João Ratão: Revisão_Manipulação” – Festival “Escrita na Paisagem”
2006, 25 Agosto: Évora, concerto filme “João Ratão: Revisão_Manipulação” – Festival “Escrita na Paisagem”
2006, 7 Outubro: Covilhã, Teatro das Beiras: Festival Y#4
2006, 13 Outubro: Barcelos, Auditório Biblioteca Municipal: Festival “Subscuta: Pós-Qualquer Coisa”
2006, 16 Dezembro: Lisboa, ZDB: concerto ao vivo

2005
2005, 4 Junho: Guarda, Teatro Municipal da Guarda: apresentação do álbum “Metamorphosia”.
2005, 9 Setembro: Castelo de Linhares da Beira – Celorico: Festival música electrónica “Super Stereo Demo”.
2005, 9 Dezembro: Porto: Casa da Música: Festival música electrónica internacional Best.OFF

2004
2004, Maio: Porto, Bar “O Meu Mercedes é Maior do que o Teu”: apresentação da compilação “divergencias.com”
2004, 21 Maio: Lisboa: Aula Magna: primeira parte do concerto de Fantômas (Mike Patton)
2004, Maio: Tondela, Teatro Acert: duo com o poeta sonoro Américo Rodrigues.

2002
2002, Março: Porto, Fnac Norteshopping: concerto de apresentação do disco “Oblique Musique”
2002, Março: Guarda, Auditório Municipal: apresentação do disco “Oblique Musique”.
2002, Abril: Porto, Fnac Sta. Catarina: concerto de apresentação do disco “Oblique Musique”
2002, Abril: Lisboa, Fnac Colombo: concerto de apresentação do disco “Oblique Musique”
2002, Setembro: Guarda, apresentação do Catálogo do Simpósio de Arte do Feital.
2002, Setembro: Guarda, Auditório do Paço da Cultura: concerto de apresentação do disco “Oblique Musique”

2001
2001, 22 Junho: Maia, Parque Industrial: festival “Urbanlab – Bienal de Artes da Maia” na primeira parte do Christian Marclay DJ Trio (Christian Marclay, Erik M e Toshio Kashiwara).

2000
2000, 18 Abril: Coimbra, discoteca Le Son: comemorações do 14º aniversário da RUC.
2000, 23 Setembro: Guarda, Auditório: duo com o Rodrigo Pinheiro - IV Festival de Novas Músicas “Ó DA GUARDA”.
2000, 15 Outubro: Guarda, Auditório Municipal: apresentação do CD “Ar da Guarda”.

1999
1999, 25 Janeiro: Lisboa, Galeria Zé Dos Bois (ZDB).
1999, 13 Março: Porto, Cinema do Terço - Cerimónia de Entrega dos Prémios Maqueta 98, da editora “Deixe de Ser Duro de Ouvido”, com Hipnótica, Strain, Woodstone, The Gift e Um Zero Amarelo.
1999, 12 Maio: Guarda, Auditório Municipal – Festival “Luqar aos Nossos”.
1999, 23 Julho: Lisboa, Parque das Nações – Festival “Sound System” com Rollana Beat e Supernova.
1999, 14 Dezembro: Guarda, Auditório Municipal.

1998
1998, 16 Agosto: Festival Paredes de Coura, Palco “Deixe de Ser Duro de Ouvido”.